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17 de agosto de 2010

Um tsunami chamado Vera


Texto e fotos-reportagem:

Depois de 19 anos do seu segundo casamento, Vera Brandão decidiu soltar de vez o seu grito de independência.

Separada há quase dois anos, sente-se melhor sozinha.

Não quer saber de casamento, mas também não está fechada para balanço.

Importa-se mesmo em ser feliz e em ter por perto a família.

Tem três filhos, sendo dois do primeiro casamento findado após oito anos, e a sua caçula do segundo.

Adora estar entre crianças e idosos.


Tem sete gatos castrados e duas cadelas. Em prol dos animais decidiu adotar uma vida vegetariana.

Adora antiguidades, pois gosta de observar o elo com o passado.

No entanto, quando o assunto é sobre a sua vida é melhor mesmo que o passado fique lá para trás.


O primeiro casamento terminou por ele ser, digamos, “meio parado demais”. “Passou uma tsunami por cima do amor que sentia por ele”, ajusta. Já sua última relação findou porque descobriu a traição do marido, bem como a conveniência por parte da família dele sobre o adultério.

Tal acontecimento lhe fez passar por uma leve depressão e hoje a deixa mais “bloqueada” e receosa – “Parece que todos vão fazer o mesmo”.


Por conta disso, declara que não possui pressa para conhecer novos candidatos a terem a honra de estar ao seu lado e assim desfrutar de toda a sua natureza.

“Não posso dizer que não quero mais me apaixonar ou gostar de alguém. Pode acontecer. A paixão é por vezes imprevisível”.

Percebe-se como uma mulher moderna, vaidosa, fiel, sincera e amiga.


As fotos para esta reportagem foram feitas no antigo casarão “Cassino dos Mestres”, depois que ela se declarou uma apaixonada por antiguidades e, curiosamente, no mesmo local onde no passado dançou com seu primeiro marido, num dos bailes ocorridos no local.

Prefere ter poucas, mas boas amizades. Do futuro, espera e merece somente o melhor.

Perfil


- Vera Lúcia Brandão, 53 anos

- Naturalidade: Rio Grande

- Signo: Capricórnio

- Personalidade: centrada, organizada, observadora, intuitiva.


- Hobbies: Gosta de ler, de sair, ir para festas, bares e se divertir com amigos

- Como define sua atual fase: “Conhecimento e crescimento pessoal”


- Música: “Exagerado”, Cazuza e “Pais e Filhos”, Legião Urbana

- Filmes: Dramas e documentários sobre antiguidades

- Sonhos: Formar-se professora e ver sua filha pronta para a vida

- Homem ideal: “Os que não incomodam e respeitam os sentimentos”


- Paixões: Chocolate meio amargo, café e por crianças, idosos e animais

- Do que não se arrepende: De cada experiência vivida e que lhe trouxe crescimento

- Sexo: “É muito importante, diria até que 50% da relação. A outra metade é feita de compreensão, parceria e diversões a dois”.




O brilho de Lorene


Texto e fotos-reportagem:

Não é clichê ou uma forma de tentar ser simpático.

Lorene Carazzai nem de muito perto aparenta ter 60 anos.

Não só pela aparência, mas pelas idéias, pelo jeito como observa e sente a vida, com um refinado senso de humor.


Ao lado do seu companheiro e amigo, o filho caçula Geisel de 28 anos (acima), ela administra desde junho de 2009, a loja de bijuterias e acessórios Questão de Styllo, situada na rua Silva Paes quase esquina Duque de Caxias.


Além de Geisel, Lorene é mãe de mais dois filhos e orgulhosamente uma avó de cinco netos.

Há três anos voltou a conhecer de perto a solidão ao ficar viúva de seu segundo marido.

“Mais do que um marido, ele era meu companheiro, meu amigo”, comenta Lorene, que antes de sua morte, cuidou até o fim de sua sogra. Tantas dores geraram um certo “toque de recolher” na comerciante que gosta de bailes mas não saí mais.


“Perdi o gosto de me divertir”, diz ela, que avisa logo em seguida: “Mas não me anulei para a vida”, garante ela que se define uma mulher alegre, feliz, moderna, para frente e já planeja em breve fazer sua primeira tatuagem. “Uma borboleta na perna”, indica ela.

“Eu me amo muito e amo o meu próximo”, evidencia.

Dos amores, Lorene também guarda histórias curiosas.

O primeiro casamento durou 16 anos. Separou-se por incompatibilidade de gênios.

Entretanto, afirma que do fim nasceu uma grande amizade, não só com seu ex mas também com a mulher com que ele de novo se casou. "O meu segundo marido também gostava deles", diz. E nem mesmo a morte deles abalaram a relação das duas.


“Somos as duas viúvas e muito amigas até hoje”, adiciona.

Lorene também abre o coração e revela outras boas histórias...

O primeiro amor, primeiro beijo, a gente não esquece, correto?!

Pois é... Lorene também não.


Ainda mais quando ele ainda permanece registrado como o “maior de todos”, mesmo depois do decorrer de uma vida. Foi por um conhecido e renomado fotógrafo da cidade, quando ele ainda nem sonhava em seguir essa profissão. “Ele dava aulas de violão”, conta ela.

O cenário dos seus encontros: um dos bancos do interior da praça Xavier Ferreira. “Quando a gente não se encontrava, deixava uma flor ou uma rosa no banco para mostrar que tínhamos passado por ali”, recorda.


No entanto, entre os dois estava o primeiro marido de Lorene, indicado e escolhido por seus pais. “Naquela época, não podíamos nos colocar contra as ordens deles”, evidencia ela, com pesar.

Embora o amor de sua juventude tenha até planejado uma fuga do casal, Lorene não teve coragem suficiente para desobedecer sua família. Casou-se e foi morar por 16 anos na capital gaúcha. “Foi a única pessoa que amei de verdade”, garante ela, mesmo depois dos anos.


Num dos últimos reencontros, sentiu o coração disparar. “Prova de que a gente envelhece só por fora, porque internamente os sentimentos permanecem os mesmos”, observa.

Porém, os tempos são outros e ela é ciente disso.

Hoje seu tempo é voltado para os seus bichos e sua família.

No momento, não pensa em relacionamento, mas acredita que uma pessoa sozinha não pode se sentir completa. Teme ficar sozinha, mas não se assusta com a velhice.


“Quero viver muito ainda”, ostenta. Depois, declara um desejo: “Sim, sinto-me jovem suficiente e ainda gostaria de viver uma grande paixão. Estou parada mas não morri”.

Sexo? “Claro! Sinto-me bem mulher para isso, mas sinto mais falta de uma companhia”.

O que falta para ir ao encontro de uma nova vida? “Tirar as vendas dos olhos, abrir uma porta”, finaliza.

Perfil


- Lorene Soares Carazzai, 60 anos

- Naturalidade: Pelotas (RS)

- Signo: Sagitário

- Cor: Verde

- Personalidade: moderna, contemporânea, calma, alegre e alto astral


- Frase: “O importante não é ter ou ser uma estrela e sim saber brilhar”;

- Hobbies: Gosto de música, “arranho um acordeom”;

- Música: As do cantor Wando, “mas gosto de tudo, até de funk, forró, pagode...”

- Como define sua atual fase: “Fechada para balanço”

- Sonhos: Viajar de avião, conhecer Fernando de Noronha (PE) e outros lugares


- Homem ideal: “Antes de tudo um leal amigo”

- Paixões: “Cuidar dos meus bichos” – Lorene tem 4 cachorros e 5 gatos;

- Sexo: “É importante, mas não é tudo. Para ter um sexo legal é preciso ter química e isso só ocorre através da amizade, da cumplicidade e da parceria”;

- “Enquanto estou com as pessoas, meus filhos, não gosto de demonstrar tristeza, por isso tento sempre me manter feliz e bem por fora”.