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13 de junho de 2010

Dia dos Namorados 2010

Um dia para saudar o amor


Por Bruno Kairalla e Fernanda Miki
- Fotos-reportagem: Bruno Kairalla
- Editora: Rosane Ávila

Viajando por outras culturas, principalmente a inglesa, o Dia dos Namorados, intitulado por eles como Valentine’s Day, é que se percebe o real significado desta data, que com o tempo foi adquirindo no país do Carnaval um valor focado mais no lado comercial ou superficial da ocasião.

Em muitos povos, mais do que o “Dia dos Apaixonados”, a data implica no “Dia da União”, e, principalmente do “Amor”, entre todas as pessoas. Não é à toa que em países afora, a data tenha um nome. E a culpa é de São Valentin.

Das diversas versões, a mais conhecida prega que o bispo lutou contra as injustas ordens do imperador Cláudio II, responsável por proibir os casamentos durante as guerras, ao justificar que os solteiros agiam como verdadeiros combatentes. Valentin continuou de forma silenciosa celebrando às uniões. Descoberto, ele foi preso e condenado à morte.

Como forma de agradecimento, muitos jovens iam até a prisão para lhe entregar flores e bilhetes dizendo que acreditavam no amor.


Enquanto aguardava o cumprimento de sua sentença, Valentin apaixonou-se pela filha cega de um carcereiro. Milagrosamente, ele devolveu-lhe a visão.

Antes de sua morte escreveu uma mensagem para a sua amada, na qual assinava, “De seu Valentim”.

Considerado mártir pela Igreja Católica, a data de sua morte - 14 de fevereiro - também marca a véspera das festas anuais celebradas na Roma antiga em honra de Juno (deusa da mulher e do matrimônio) e de Pan (deus da natureza).

Outra versão diz que no século XVII, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia de São Valentin, como o dia da união. A data também foi adotada um século depois nos Estados Unidos, tornando-se o Valentine's Day.


E na Idade Média, dizia-se que o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Por isso, os namorados da época usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta da amada.

No Brasil, a data é celebrada no dia 12 por anteceder 13 de junho, dia de Santo Antônio, santo português com tradição de casamenteiro.


Porém, a data, provavelmente, surgiu no comércio paulista quando o publicitário Antonio José Braz trouxe a ideia do exterior e a apresentou aos comerciantes, sendo assumida por todo o país para reproduzir o mesmo efeito – comercial - do Dia de São Valentin.

Para refletir o amor


Entretanto, muitos países hoje não só ligam a data ao Dia dos Namorados, ou da Paixão, como também a um dia feito para refletir sobre o amor entre todos.

Em outros cantos, tornou-se comum, por exemplo, distribuir lembranças ou presentes para as pessoas que realmente podemos dizer que amamos.

Porém, antes, é preciso entender o que é o amor, uma tarefa nada fácil, por se reportar a um sentimento complexo e que adquire um novo sentido ou concepção, de acordo com os valores, os ponto de vistas e as vivências ou experiências particulares de cada pessoa.


Ou seja, um sentimento variável, indefinido e extremamente de ordem e caráter pessoal. A forma ou o jeito como alguém ama, sente ou percebe o amor jamais será exata ao de outro indivíduo.

Porém, a certeza que fica é que quando as acepções deste incontrolável sentimento se aproximam ou se encontram, aí sim, formam-se os corações apaixonados.

Simbologia

Se o que importa na vida são os momentos que nos fazem sentir vivos e especiais, então a simbologia é a responsável por fazer com que jamais nos esqueçamos deles.

Toda vez que nos deparamos com um presente ou uma lembrança, fica arquivado na memória o motivo e ocasião em que ele foi dado, o que sentimos e o quanto gostamos de quem nos presenteou.

E qual é um dos presentes mais antigos na história da humanidade?

Elas, as campeãs de vendas em todas as culturas: as flores!


Há quem não a considere um presente de fato, mas todos sabem do charme e do poder que ela causa em qualquer ocasião.

Acolhedoras, as flores carregam sentimentos puros ao espalherem no ambiente sua energia e fragrância.


Podem pedir desculpas, fazer parte das regras de etiqueta, explicar que sentimos muito pela perda de algo ou alguém, nos representar quando não podemos comparecer, mandar lembranças, parabéns, ou, então, simplesmente, dizer: “Oi, eu te amo” ou ainda: “Eu me importo com você”.


Confira a continuação de nossa reportagem, nos próximos posts!!


12 de junho de 2010

Rainha das flores

O que faz da rosa vermelha o maior símbolo da paixão e do amor? Qual encanto que ela guarda que tanto entrelaça os corações apaixonados?


A campeã de vendas também está na arte, em pinturas ou até em músicas, como a de Ana Carolina: “Toda a mulher gosta de rosas. Muitas vezes são vermelhas, mas sempre são rosas”.

De fato, algumas não dão grandes atenções a isso, mas grande parte gosta de receber flores, e a mais presenteada é certamente a rosa.


Conforme a proprietária da Floricultura Rheingantz, Cinara Araújo Maurano (acima), 95% dos presentes enviados em datas especiais como o Dia dos Namorados, são rosas vermelhas.

- Elas simbolizam a paixão -, explica ela, que já prevê as vendas encomendando de 800 a 1000 botões do distribuidor.


Claudete Silva da Silva (acima), funcionária da floricultura, junto à Cinara, também concorda que as rosas são as mais procuradas. E mesmo quando não são namorados, os homens enviam as vermelhas.

Segundo Taty Xavier (abaixo), proprietária da floricultura Natureza Viva, tulipas vermelhas são também flores muito requisitadas em sua loja, porém, nenhuma bate as vendas da boa e velha rosa vermelha.


- No Dia dos Namorados, no ano passado, chegamos a vender mais de duas mil rosas, entre as nacionais e importadas (essas, maiores) -, conta ela, que neste ano estima o mesmo número de vendas.


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Com vocês, o “Tio das Rosas”

E se é para falar em rosas, talvez seja a hora de prestar uma rápida homenagem a quem se consagrou por ser, há mais de 25 anos, um dos maiores representantes delas: o famoso “Tio das Rosas”, como é conhecido por onde passa, ou o seu José Hugo Fila, de 58 anos.


Morador do bairro Profilurb II, José Hugo recebeu a nossa equipe em sua humilde casa. Das rosas ele retira o sustento, contribuindo para que o clima romântico inspire casais apaixonados nas noites rio-grandinas.


Com uma vida marcada pelas adversidades, José Hugo é natural de Novo Hamburgo, mas ainda bebê foi deixado pela mãe, que o deu para uma importante família de Santa Vitória do Palmar.

Aos 15 anos, mudou-se para Rio Grande quando o Município ainda era conhecido como a “Cidade das Chaminés” e também pela forte promessa portuária. No porto trabalhou por alguns anos, enfrentando serviços pesados.


Foi casado por 11 anos. Do casamento, a dificuldade de ter filhos. “Tivemos três filhos, mas eles ainda morreram quando novos”, explica. Só depois que o casal procurou ajuda espiritual é que então os dois filhos vingaram. “Pela promessa que fizemos, os nomes escolhidos para eles foram Adão e Eva”, comenta ele sobre a ironia do destino.

Adão, a exemplo de seu pai, atua também como vendedor de rosas.

- Só que ele vende em casas noturnas populares da cidade e eu em restaurantes -, estabelece o avó de quatro netos.


Ainda sobre as dificuldades, ressalta que já passou dias sem ter o que comer e não esconde que já teve que caçar passarinhos para sobreviver. Nas frias noites, ele vende em média 100 rosas.

A experiência faz com que logo no início saiba se a noite será ou não lucrativa. Cada rosa, artificial, embalada pelo próprio vendedor, custa R$ 5. Com o tempo, o “Tio das Rosas” também aprendeu a ter rebolado quanto aos clientes que se incomodam com a sua presença.

- Muito já discuti, pedi educação. Hoje, apenas viro as costas e saiu -, afirma.


Ainda sobre as vendas, ele elege às sextas-feiras como o melhor dia da semana.

- No sábado as pessoas seguram mais o dinheiro -, observa.

Sobre as noites papareias, ele fala sem muita empolgação:

- Não foi só o clima de romanstismo que diminiu; as próprias pessoas estão mais individualistas. Na verdade, a noite de Rio Grande morreu há 10 anos -, percebe.

Sobre o perfil de seus clientes, aponta:

- Quem gasta mais é o pobre. Da classe média para baixo -, ressalta.


Por fim, ainda discorre sobre uma das coisas que mais o emociona quando lembra dos seus mais de 25 anos de profissão.

- Muitos clientes se tornaram amigos e o mais legal foi que passei a acompanhar a história deles. Como sempre encontro as pessoas pelos restaurantes fico sabendo que de uma rosa o relacionamento resultou em casamento ou mesmo em separação -, fala ele, aos risos.

Neste Dia dos Namorados, seu José, o Tio das Rosas, estará vestido a rigor. Convidado, ele participará do jantar romântico que será realizado no Ipiranga Atlético Clube.

Tudo por conta do prestígio que obteve em sua trajetória, através dos perfumes de suas rosas.


>> Namorados 2010: Vendas


Apesar da data exigir romantismo, Cinara afirma que as vendas de flores no “Dia das Mães” são maiores, pois muitas pessoas, homens e mulheres, presenteiam, além de suas próprias mães, as suas avós, madrinhas e sogras.

Mas também faz um contraponto:

- A diferença é que no Dia das Mães, plantas em vazos são as mais procuradas.


No Dia dos Namorados, apesar de ser um público restrito, as mulheres também presenteiam homens com flores e neste caso, conforme Cinara, os cravos são os mais escolhidos.

Opinião divergente tem Taty da Natureza Viva, que afirma que nenhuma data excede o número de vendas que existe no “Dia dos Namorados”.


Ela também concorda que as mulheres estão comprando mais flores para os homens e que neste caso, normalmente, os cravos e os lírios são muito requisitados.

Em alguns casos o presente é específico, certeiro para avivar uma lembrança. Taty recorda que um de seus clientes, já idoso, todo o ano compra a mesma flor para a sua esposa nesta data. Orquídeas. O motivo? Quando casaram, essa era a flor que compunha o buquê da noiva.


- É a forma que ele usa para demonstrar que a ama desde aquela data e que lembra daquele momento especial -, explana ela.

Porém, mesmo entre estes romantismos, existem casos peculiares que se reportam aos “presentes por obrigação”.

Cinara diz que certa vez recebeu um cliente que presentearia a esposa pelo aniversário de casamento.

Para ele, o artigo era indiferente, qualquer coisa servia.

- O que percebo em muitos casais é que quanto maior o tempo da relação, menor é o presente ou o número de rosas -, relata.

Taty também conta uma história engraçada de uma mulher que sempre enviava flores para ela mesma no trabalho.

- Um truque de sedução que muita gente faz e que dá certo, expõe a proprietária.