5 de fevereiro de 2010

Elas ENCERRAM a 37ª Feira do Livro

No último final de semana da 37ª Feira do Livro, o Mulher Interativa lhe convida para conhecer o trabalho de algumas mulheres ou atrações que estarão em evidência nestes últimos dois dias. Não deixe de conferir!

Os registros históricos e fotográficos de Rejane Botelho



Por Bruno Zanini Kairalla
- Fotos: Divulgação
- Sugestões: bruno.kairalla@gmail.com
- Editora/diagramadora: Rosane Leiria Ávila


Aprecio a arte em todas as suas linguagens, dedico-me a pintura e a fotografia”. Desta forma, apresenta-se a pelotense Rejane Botelho Portela, 48 anos, que a partir das 21h deste sábado, recepciona os visitantes da Feira do Livro para o lançamento de seu novo trabalho: “Fotografias de Rio Grande”.

Livro fotográfico que será lançado neste sábado na 37ª Feira do Livro

Conforme Rejane, a intenção é provocar as mais diversas reações em seus leitores e também “sensibilizar através da imagem fotográfica, mostrando as belezas locais, tentando despertar o interesse pela cultura e a conservação do município”. Com esse propósito, a artista selecionou em 61 páginas, 63 imagens de um total de aproximadamente 250.

Alfândega, Porto (Foto: Rejane Botelho)

De acordo com Rejane, o critério da seleção foi baseado pela conservação dos prédios, facilidade de identificação e, claro, pela beleza da imagem captada. Na Feira, o livro poderá ser obtido pelo preço de R$ 15,00. Das suas imagens preferidas no decorrer da obra, a artista destaca a Igreja do Carmo, o Porto do Rio Grande e a conservação das praças.

Fárgula, Teatro Guarany (Foto: Rejane Botelho)

Quanto aos desafios, ela aponta que foi conseguir uma identificação dos locais fotografados, como a cidade mais antiga do Estado. Entre os empecilhos, Rejane afirma que foi difícil encontrar referencias históricas as imagens captadas.

Praça Tamandaré - Homenagem a Imprensa (Foto: Rejane Botelho)

“A minha inspiração para esse trabalho, partiu de um processo de continuidade sobre a idéia de registrar a história arquitetônica de nossa região, especialmente quanto a cidade mais antiga do Estado”, responde ela. Depois de suas observações, para Rejane, a comunidade rio-grandina “deveria valorizar mais a história do seu Município e manter a sua arquitetura original, como fonte de turismo”.

Primeiro


Para chegar na composição de “Fotografias de Rio Grande”, Rejane primeiro dirigiu seu olhar para a arquitetura e os espaços urbanos de sua cidade. E foi em 2009, através da exposição fotográfica em comemoração aos 196 anos da cidade de Pelotas, intitulada “Detalhes de Uma Princesa”, que ela produziu o seu primeiro livro fotográfico, sob o mesmo título, lançado durante a última Feira do Livro de sua cidade natal. “Com isso, iniciei o projeto do livro em fotografias”, explica.


E a terceira obra a seguir sob esse aspecto, está próxima. Rejane adianta que no decorrer deste ano estará trabalhando na produção de um novo livro fotográfico e histórico que contará a história de Portugal em Pelotas, juntamente com professora Ana Margarida Portela, contando ainda com a colaboração do professor Francisco Queiroz, ambos de Portugal.

Escultura em Pelotas (Rejane Botelho)

Ainda dentro dos seus planos, ela finaliza: “Quem sabe, fechamos também uma parceria para realizar uma exposição do livro Fotografias de Rio Grande?”, sugere a artista.

Sobre Rejane


Formada em 82, no curso de técnico contábil, Rejane é uma profissional multifacetada. Atualmente, ela ministra em seu ateliê aulas de pintura, filmagem, animação, fotografia e também iniciação de informática para grupos da Terceira Idade.

Autodidata, a artista iniciou-se na arte da pintura em 2001, somente depois ingressando em cursos de pintura. Em 2004, começou a expor seus trabalhos. Já em 2005, seu ateliê passou por uma reforma e ganhou a denominação de “Agência da Arte”, espaço que de lá para cá também é destinado a divulgação dos trabalhos de novos talentos.

Ateliê Agência da Arte

“No ateliê incorporamos às mais diversas formas de expressões artísticas, como, fotografia, dança, literatura, música, teatro, entre outros. Realizamos apresentações não somente no ateliê, mas também levamos a arte até as comunidades e nos espaços culturais disponíveis”, discorre Rejane.


Ela afirma ainda que sempre gostou de fotografar e que costumava reproduzir suas fotos em tamanhos maiores, para que assim pudesse expressar as imagens em sua telas. Até que, em 2005, decidiu participar de um concurso fotográfico, organizado e promovido pelo curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Pelotas (UCPel).


Nele, obteve as classificações de 1º e 3º lugares. “A partir desse instante passei a me dedicar ainda mais a fotografia”, salienta Rejane, que com a sua arte já participou de outros inúmeros eventos e festivais.

>> SERVIÇO
- O quê: Lançamento do livro “Fotografias de Rio Grande”
- Quando: Sábado, 06/02
- Horário: 21h
- Onde: 37ª Feira do Livro
- Autora: Rejane Botelho
- Editora: PREC, Editora e Gráfica Universitária-UFPel
- Nº de Páginas: 61
- Nº de Fotografias: 63
- Valor: R$ 15,00.
- Acesse: www.agenciadaarte.blogspot.com


Uma Proposta em nome da Vida


Noutro canto da Feira do Livro, também às 21h deste sábado, ocorre a segunda edição da oficina, Desvelando Olhares e Atitudes: Uma Proposta em nome da Vida. Promovida pela ONG Amigo Bicho, em parceria, com a Sociedade Vegetariana Brasileira, a oficina tem por objetivo repassar as mais diversas informações de conscientização e mudança de mentalidade e postura aos visitantes do evento.


Além de materiais de divulgação espalhados pelo local, a principal atividade da ação ocorre com a exibição de filmes que protestam contra as atitudes irracionais humanas, cometidas contra os animais.


No primeiro sábado da oficina, no último dia 30, foram expostos os filmes: “A Carne é Fraca”, sobre vegetarianismo, “Fulaninho, o Cão que Ninguém Queria”, abordando a guarda responsável e controle populacional...


e “Terráqueos”, que mostra todas as formas de exploração por qual passam os animais, desde a alimentação em demasia, passando pelo chamado período de entretenimento, experimentação e o abate.


Para este sábado, os organizadores preparam a exibição do documentário “Meat the Truth” (Uma Verdade Mais que Inconveniente) do Partido dos Animais da Holanda. O vídeo aborda a questão do aquecimento global, efeito estufa, poluição e sua correlação com a pecuária.


“Hoje, sabemos que a prática da pecuária é uma das maiores causas de destruição ambiental, através das queimadas, desmatamento, emissão de metano e outros gases oriundos do metabolismo dos rebanhos”, reforça a veterinária, Vanilda Moraes Pinto, responsável pela ONG Amigo Bicho.

A veterinária considera essas informações como altamente relevantes pois trazem à tona questões atuais e graves como o desastre ecológico e toda a brutalidade praticada contra os animais. “Estamos empenhados em mostrar isso a sociedade. Nosso compromisso é com o planeta e todas as formas de vida”, reforça Vanilda. Apesar das fortes mensagens repassadas, a doutora diz que muitos tomam conhecimento das atrocidades, mas mesmo assim não mudam as suas posturas.


“Olham mas não vêem. É como se levantassem uma muralha entre o cérebro e o coração, pois não querem admitir que o seu hábito, a sua conduta é que faz com que ocorra toda aquela brutalidade. Preferem se enganar para continuarem dormindo. Aliás é a conduta praxe nos seres humanos: a inconsciência. Mas parece que a Natureza está se cobrando de tanto receber sangue em seu solo. Parece que ela está dando um basta. Séculos de carnivorismo, de milhões de animais mortos simplesmente para saciar o paladar de uma única espécie, isto, com certeza, está tendo um custo ecológico....


Num planeta de famintos, estimular o consumo de carne, que é um alimento caro, com um custo ambiental imenso, é imoral. Aliais, comer carne é um hábito elitista, anti-ecológico e cruel”, evidencia Vanilda.

Soluções


“Precisamos parar de fazer de conta que o assunto não é conosco, que sempre teremos mais tempo para resolvermos estas questões. Insustentável é o nosso comportamento em todos os sentidos. Somos cruéis para com os seres vivos, consumimos demais, não reciclamos, não preservamos, agimos de modo inconsciente como se a natureza tivesse reservas infinitas que estarão sempre à nossa disposição....


A natureza é como uma gigantesca corrente cheia de elos. Estamos todos interligados. O que fazemos a alguns refletirá no todo. Precisamos aprender a lição do respeito, mas só há dois caminhos: pelo amor ou pela dor. Do jeito que o mundo está, parece que será pela dor”, assegura.

De todo o material que é exposto, Vanilda diz que o mais a tocante é o documentário “Terráqueos”. “São cenas fortes, grotescas mesmo. Todas mostram de modo claro e sem artifícios o quanto o ser humano pode ser monstruoso e cruel....


Dói demais, constatar o sofrimento dos animais em nome do prazer do paladar, do lucro, da ganância humana. E triste o quanto somos capazes de cometer atrocidades, direta ou indiretamente”. Quando a essa última análise, ela ainda indica: “Quem não mata o animal com as próprias mãos, mas se beneficia da morte daquele que a executou, é tão culpado quanto.


Muitos dizem: - Ah, não posso ver isso. Complemento: mas comer podem, não? E porque não fazem uma associação entre o seu paladar e toda aquela selvageria que eles assistiram? As pessoas dizem que gostam dos animais, mas sempre pergunto: quais animais? Ou elas acham que vacas, ovelhas, galinhas e porcos não sentem dor, desespero e sofrem ao serem esfaqueados ou degolados?


Disse o ex-Beatle, Paul McCartney: "Se os matadouros fossem de vidro, todos seriam vegetarianos", mas sabemos que a evolução humana é lenta, as pessoas demoram pra despertar, logo, nosso dever é continuar mostrando, informando, pois somente assim, teremos um mundo menos cruel e violento”, argumenta a veterinária.


Vanilda conclui suas reflexões expondo uma ideia de Pitágoras. "Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos animais, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor".

>> SERVIÇO
- O quê: 2ª edição da oficina: “Desvelando Olhares e Atitudes: Uma Proposta em nome da Vida”.
- Quando: Sábado, 06/02
- Horário: 21h
- Onde: 37ª Feira do Livro
- Documentário exibido: “Meat the Truth” (Uma Verdade Mais que Inconveniente)


Por dentro das práticas vivenciais

Bruno Kairalla/JA

Lembram dela? Pois é.

Há duas semanas, Vilmabel Soares, estampou a capa do caderno O Peixeiro e agora está no Mulher para lembrar que neste domingo, também a partir das 21h, tem lançamento do seu primeiro livro, intitulado "Práticas Pedagógicas Vivenciais - Dinâmicas para trabalhar valores, atitudes, afetividade, autoestima, relacionamento, autoconhecimento e inteligências múltiplas".

Bruno Kairalla/JA

Editado pela Vozes, a obra é traduzida como uma ferramenta pedagógica inovadora que facilitará o desenvolvimento humano, feita para educadores que buscam como despertar a atenção e o envolvimento dos alunos no processo ensino-aprendizagem. Essa nova proposta poderá também ser introduzida em trabalhos de terapia de grupo.


Em 122 páginas, o livro oferece exercícios teatrais (técnicas vocais básicas, dança, música, expressão corporal, dicção, oratória, desinibição, percepção, sociabilização, técnicas de relaxamento e meditação, entre outros); dinâmicas de grupo; textos reflexivos e brincadeiras diversas.


“Quero compartilhar minhas vivencias em sala de aula, minhas leituras e meus escritos. Ela são resultado do meu aprendizado enquanto aluna e professora”, convida a escritora e educadora brinquedista.

>>> SERVIÇO
- O quê: “Práticas Pedagógicas Vivenciais”,
- Autora: Vilmabel de Oliveira Soares Gibon
- Quando: 07 de fevereiro (Domingo)
- Horário: 21h.
- Editora: Vozes, Petrópolis (RJ).
- Nº de Páginas: 112
- Preço: R$ 19,00.


Descobrindo a Logosofia


Estendida também a educadores e demais interessados em novas ciências ou formas de aprendizado e sabedoria, ocorre neste domingo, 07, a partir das 20h, na Feira do Livro, a palestra “Empreendedorismo e Qualidade Vida dentro de uma nova concepção: a concepção de Ciência Logosófica”, ministrada pelo empresário e docente da Fundação Logosófica de Chapecó (SC), Luis Alberto Paludo.


A Logosofia (em grego, Sabedoria da Inteligência) é por seus adeptos apresentada como o sistema mais moderno e eficaz para promover o aperfeiçoamento ético do indivíduo e da sociedade. É um apelo à reflexão do homem sobre si mesmo. A palestra apresenta reflexões e experiências de um empresário, sob esta nova ótica.


Paludo busca ampliar o conceito de vida para que se possa viver de forma mais ampla e considera que o homem é empreendedor por natureza, porém, muitas vezes, observa-se limitado por suas próprias condições, por sua incompreensão a respeito do que o rodeia.

>>> SERVIÇO
- O quê: Palestra Empreendedorismo e Qualidade Vida dentro de uma nova concepção: a concepção de Ciência Logosófica
- Autor: Luis Alberto Paludo
- Quando: 07 de fevereiro (Domingo)
- Horário: 20h.
- Onde: 37ª Feira do Livro


Do livro ao Carnaval


Fora da Feira do Livro, neste sábado, dia 06, a folia toma conta da Quadra da Cultura, no Cassino. A partir das 21 horas, a festa corre por conta do Bloco Na Aba do Chapéu de Palha e, logo após, acontece o lançamento oficial do Carnaval 2010, com a presença do novo Rei Momo, das Rainhas e Princesas do Carnaval do Rio Grande.

Dando prosseguimento à noite, também estarão presentes entidades do Grupo Especial do Carnaval Oficial do Rio Grande, apresentando seu samba enredo para o Carnaval 2010 e sua bateria show.


A noite promete proporcionar um belo espetáculo ao público da Praia do Cassino e promover a integração entre as entidades do Carnaval Oficial e do Carnaval do Cassino. A Quadra da Cultura está localizada no canteiro central da Avenida Rio Grande, entre as ruas Santa Vitória e Jaguarão.



GORDURA é um ESTADO de Espírito


Em duas refeições frugais, o pacote de biscoitos - que era enorme ficou reduzido a nada.

Desolada, Taís não parava de fitar o pacote - agora quase vazio -, e que tendia mais para um lado que para o outro.

Com tristeza lembrou que todo o esforço feito na academia pela manhã havia sido em vão.



Crônica escrita pela editora Rosane Leiria Ávila
- E-mail: rosaneleiria@gmail.com

Na vida, odiava ter que ir malhar mais do que tudo: 1h de esteira, 30min de bicicleta, sei lá quanto tempo de musculação. E, para finalizar ainda havia a tortura dos tais abdominais, que costumava chamar de “abominais”.


E tudo pra quê?

Para competir com as amigas de ocasião que, assim como ela, também estavam ficando velhas e largas...



Riu-se da alusão.

Uma coisa que tinha era senso de humor.



Humor sarcástico ou negro, que às vezes a fazia rir ironicamente das próprias desgraças.

Como nas vezes em que escutava um assovio de admiração na rua e se pavoneava toda, mesmo sabendo que era para a sílfide à sua frente.

¬¬

Olhava-se no espelho todas as manhãs e maldizia as novas rugas, mas se rejubilava porque elas também apareciam corajosas nos rostos redondos das famosas.


No espelho, olhava para os olhos e já não via neles o brilho da juventude.

Pelo contrário, começavam a ficar embaçados - talvez por uma iniciante catarata -, ou pela desesperança de um dia vestir manequim 40.



Mas mesmo sabendo ser o tempo um demolidor implacável a La Schwarzenegger, esforçava-e para retardar o inevitável e em sua agenda não faltavam visitas a clínicas de estética para aplicações de botox, maquiagem permanente, massagem modeladora, drenagem linfática...


Ufa! Tanto esforço para que sua baixa auto-estima não fosse amarrotada pelo estilo 'de bem com a vida' da vizinha gostosona.

A tal monopolizava os olhares no elevador e a atenção do síndico, que se desmanchava aos seus pedidos e caprichos.

Ela até exibia um bumbum empinado.

Seria silicone?


“Hoje em dia não se tem mais certeza de nada...”

Os peitos eram, disso ela tinha certeza pois o tamanho causariam inveja a americana Pamela Anderson!

E a barriga? Esticadinha! “Que nojenta”, pensou!


E agora, fitando o saco dos biscoitos, via tudo ir por água abaixo!

Quantas calorias, mesmo?!

Eram dos mais doces que havia na prateleira do supermercado. Daqueles folheados (com muita gordura hidrogenada) e ainda por cima açucarados! Melhor nem ler as informações calóricas no pacote.

Mas se fosse honesta consigo, teria de admitir que os três croissants no cafezinho da tarde anterior, ou a picanha com capa de gordura no almoço também a fariam afundar a balança.


Melhor então é parar de sofrer, ligar pra amiga e combinar um choppinho (ou mais) no final do dia!

Não sem antes prometer que no dia seguinte começaria a dieta, baniria todos os biscoitos e guloseimas da despensa e nem chegaria perto de uma cervejinha.


No fundo, era o que se prometia todos os dias...

Afinal, ser gorda não é um tipo físico; é um estado de espírito...

Quem foi que lhe disse isso mesmo?!



MEIA Hora de PRAIA



Ela acorda num belo domingo de sol.

Dia tão perfeito para a praia que contraria a previsão do tempo e a pega desprevenida.

É preciso correr!

Pega o telefone, liga para as amigas, acorda a família, prepara o café, arruma as crianças, acorda o marido — dessa vez com sucesso — serve o café e parte para o ritual: banho, depilação, veste um biquíni, troca o biquíni, tira o biquíni, tenta um maio e acaba de volta ao primeiro biquíni, devidamente escondido sob a longa bata.

Agora, só faltam alguns detalhes.


Crônica assinada por JU Blasina
- E-mail: jrblasina@yahoo.com.br


— Dentro de meia hora estaremos na praia — estima ela, com todo o otimismo de quem anseia pelo primeiro bronzeado do verão, enquanto prepara a bolsa com umas coisinhas básicas: bronzeador, bloqueador e protetor solar para o corpo, rosto, cabelo e lábios, três fatores de cada um. Toalhas, chapéus, chinelos e roupas extras. Pronto! Agora só faltam os detalhes: esteiras, cadeiras, guarda-sol e isopor — que ainda está vazio, sinalizando um problema no checklist.

— Querido, o isopor!

O marido que, ainda sonolento, bebia pacientemente seu café recém iniciado, até então ignorando a pressa da mulher, responde:

— O que tem ele?

— Por enquanto, nada! Esse é o problema.

— Já tô indo — diz ele, sem manifestar sinais de aceleração.

É hora de chamar a trupe para encher o carro.

Verifica as crianças, que a essa altura se dispersaram e já não estão mais tão arrumadas e, enquanto eles procuram seus baldinhos, ela percebe, para sua total alegria, que o maldito isopor ainda não está no carro.

Mas antes que grite novamente, o marido avisa orgulhoso:

— Tá quase pronto, só faltou as tuas coisas!

Ao verificar, ela descobre que as “suas coisas” são tudo aquilo que não for cerveja.

Agora sim, tudo pronto!


Ufa... Até que enfim, a estrada.


Mais meia hora e estarão na praia!

Ledo engano...

Estrada engarrafada, ar condicionado quebrado e sol infernal.

Para completar a receita, a filhinha avisa:

— Mãe, tô enjoada.

— Espera só um pouquinho, filhinha, que eu já te alcanço o remédio.

— Hm, acho que é tarde demais...

— Querido, para o carro!

— Não posso parar aqui! Filhinha, segura aí!

— Xiii, é tarde demais mesmo, éca! — exclama o filho, que divide o banco com a irmãzinha.

O carro é estacionado, a filha chora, o filho protesta, a mãe limpa e consola as crianças, o pai limpa e consola o carro.

Meia hora depois e a família segue viagem.

Lá se foi metade da manhã!

Outra meia hora se passa até que o marido avise: praia à vista!


Uns trinta minutos de peregrinação em busca de um bom lugar ao sol, e lá estão eles: montando acampamento na tão desejada praia!

Outra meia hora se vai entre o tentar localizar os amigos, o organizar das coisas e o besuntar da família, até que ela esteja, enfim, apreciando a sensação dos primeiros raios de sol sobre a alva pele da sua barriga, enquanto as crianças brincam na água e o marido lê seu jornal, sentado à sombra do guarda-sol.


Meia hora depois e o marido, que já terminou a leitura, comenta o aproximação das primeiras nuvens, para o desespero dela, que as tenta afastar com a força do pensamento.

Inutilmente...

Cerca de trinta minutos depois e as nuvens ganham companhia.

O filho reclama de fome e a filha foi queimada por uma mãe d’água.

Pronto: lá se foi a manhã de sol!


A última meia hora de praia da família é gasta carregando o carro para partir rumo à sombra da área de alimentação.

Os meninos vão contentes, as meninas, emburradas — ambas queimadas de um lado só.

E ela ainda tem que ouvir o otimismo do marido, que tenta animá-la, dizendo:

Tudo bem, querida, não fica triste. Domingo que vem tu deita de bruços! Pelo menos foi divertida nossa meia hora de praia, não foi?