13 de julho de 2010

Perdemos, óbvio!



... assim como hoje o povo do Brasil usa a força do pensamento de modo pouco eficaz, com a esperança de obter metas futebolísticas e de escassa importância real, no futuro o mesmo povo poderá usar essa força para superar seus desafios culturais, econômicos, sociais e ambientais

[Carlos Cardoso Aveline: O Brasil e a Força do Pensamento (clique e leia na íntegra)]



Perdemos, pois nem sempre se pode ganhar. Óbvio.

Perdemos, porque o time adversário estava vivo, correndo no campo, jogando, disputando a bola e mirando o gol. Óbvio.

Perdemos, posto que para fazer um gol, além do talento, há de se ter um sopro de certeira boa sorte. Assim como a bola por um triz entra, por outro triz fica de fora da trave que separa o sucesso do fracasso.

No placar não são contados os quase gols. Óbvio.


Perdemos, porque há variados talentos, esforços e sortes distribuídos em todas as nacionalidades; não são patrimônios exclusivamente brasileiros. Óbvio.

Perdemos porque não se pode ganhar sempre o jogo, e era um jogo. Óbvio.

Tudo isto absolutamente óbvio.

Pois estas obviedades trazem lições para a vida, ou podem trazer se forem analisadas.


Muita sabedoria está assim, ao alcance de quem observa aquilo que lhe salta aos olhos.

A vida é generosa em situações óbvias, mas a mente desatenta não as enxerga.

Absorta em milhares de distrações, pouco reflete e vai perdendo preciosas oportunidades de aprender, de evoluir.


As vivências cotidianas só nos servirão de lembranças se estiverem ligadas a algum aprendizado e aprendemos muito mais coisas com as derrotas do que com as vitórias.

Porém, se buscarmos nas prateleiras de uma livraria, encontraremos ampla variedade de títulos sobre o mesmo tema: receitas de sucesso.

Se seguidos a risca todos os passos recomendados, raramente alcançamos o mesmo resultado dos autores destes livros.


O sucesso parece com aquela água que se vê ao longe sobre a estrada e que, ao nos aproximarmos, descobrimos ser apenas uma ilusão de ótica.

Os sucessos – em quaisquer áreas - são fugazes, passageiros, perigosamente ilusórios.


As glórias alcançadas costumam vir acompanhadas da traiçoeira fama, inspirando orgulho e vaidade; insuflando o ego com arrogante autoconfiança.

Seu efeito mais danoso pode ser constatado nos percursos meteóricos de alguns conhecidos personagens do mundo das artes e dos esportes - carreiras promissoras destruídas pelos excessos de dinheiro e de fama.


Já as decepções, se bem aproveitados, são capazes de promover positivas transformações.

As derrotas colocam as coisas no seu devido lugar: demonstram a fragilidade humana.

Os fracassos são férteis semeadores de pensamentos virtuosos: humildade, autocrítica construtiva, reconhecimento do valor alheio, solidariedade.


Da recente frustração futebolística se podem colher vários aprendizados: a Copa do Mundo não era brasileira por antecipação; os bem pagos jogadores não são heróis e nem estavam a serviço da salvação da pátria.

E a pátria amada Brasil tem coisas mais importantes para pensar e para resolver. Óbvio.


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